Escrevendo de madrugada enquanto escuto músicas do Green Day e choro, óbvio!
Provavelmente apenas fãs (do Green Day) conseguirão ler até o final,
mas tudo bem, estou escrevendo com muito amor.

7 de Novembro de 2017, eu esperei 14 anos por este dia, posso tentar resumir, mas tenho tanto sentimento guardado desses anos todos que não garanto que eu consiga ser breve.

Quando mudei pra Esteio, em 2004, o Green Day estava lançando o American Idiot, pouco depois de eu viciar na banda, descobri que eles eram os caras do clipe que eu via quando era criança; dos doidos tocando rock onde o baterista estava numa cadeira de rodas, sim, era Basket Case, que eu conhecia, mas nunca levei a sério. Então cresci e conheci a banda de verdade, naquela época eu já tinha problemas grandes e conflitos sérios pra lidar, o AI foi um dos cds que me ajudaram a superar tudo aquilo através dos anos e a banda foi uma das que me ajudaram a prender quase todo inglês que eu sei hoje, está no grupo de bandas da minha vida, entre as que mais importam desde a minha adolescência. 

O tempo passou e em 2010 o Green Day veio tocar em Porto Alegre pela primeira vez, sem detalhes sobre a tour deles, falando sobre mim naquele ano: ESTAVA NA MERDA, estudando muito, morando com minha prima, sem minha mãe, sem dinheiro, sem companhia, depressiva, fingindo que estava tudo bem, obviamente PERDI O SHOW! Só eu sei a tristeza que senti, o quanto sonhei ver eles de perto e cantar todas músicas, eu não estava lá, eu não estava na fila, eu não estaria nem de longe, não sabia quando voltaria, não sabia se voltariam... Lembro do quanto o Green Day me ajudou naquele ano de 2010, foi um dos mais difíceis que já tive e ver eles seria, além de um antigo sonho realizado, algo que faria valer a pena tanto sofrimento. Eu chorei muito na noite do show, chorei escondida, em silêncio, ouvindo as músicas deles no meu celular, só eu sei o que senti! :(

Muitas coisas aconteceram nos 7 anos seguintes e agora eu só consigo lembrar do dia que li no Twitter do @jnflesch que o Green Day viria pro Brasil, NAQUELE MOMENTO EU TIVE CERTEZA que viriam pra Porto Alegre, mas as vendas começariam logo, em julho e eu não sabia se teria dinheiro, EIS QUE A SALVAÇÃO VEIO, o saque do FGTS autorizado pelo Governo Federal, peguei metade do meu e guardei, dali seria comprado o passe pra felicidade. No dia 7 de julho, exatamente 4 meses antes do show, começaram as vendas, naquela noite eu não dormi, saí cedo de casa com minha mãe PRA FILA queria estar entre as primeiras pessoas a comprar, minha amiga, Ana, estava lá e acabou comprando o ingresso pra mim porque eu precisei ir pro trabalho antes de abrir a bilheteria oficial, tudo bem, ela é uma das pessoas mais foda dessa história toda que estou contando; em 2014, quando nos conhecemos no show do Anberlin descobrimos que o Green Day também é um grande amor que temos em comum e prometemos uma pra outra que estaríamos na grade do GD, independente de quando fosse o show, ASSIM FOI!

4 meses passaram e depois de muitas conversas, espionagem e discussões pelo Whatsapp com a galera que comprou ingresso pra pista, decidimos ir pra fila, NO DOMINGO, DIA 5, seriam 3 dias de fila e 2 noites, assim fizemos, sem contar as histórias desses dias de fila só posso agradecer aos amigos que fiz durante o tempo que acampamos no portão 7 do Estádio Beira-Rio (farei uma postagem apenas para o pessoal da fila, eles merecem). <3

CHEGOU O DIA 7 DE NOVEMBRO de 2017, depois de praticamente 14 anos, ali estava eu, prestes a entrar pro show do Green Day e assim foi:
CORRI
PEGUEI GRADE
GUARDEI O LUGAR DO PABLO (prometemos que o que chegasse antes, guardaria lugar porque queríamos ficar na frente do Mike)
EU ERA A PRIMEIRA PESSOA DO LADO DA PASSARELA
NA FRENTE DO MEU AMADO MIKE
O SONHO ESTAVA PRESTES A SE REALIZAR
E
FOI
I-NEX-PLI-CÁ-VEL!

Tentando ser breve:
- ABERTURA FANTÁSTICA DA BANDA CONVIDADA PELO GREEN DAY: THE INTERRUPTERS, ainda falarei mais sobre eles aqui no blog, que amor de banda, estou apaixonada!
- mais de 2h de show
- duas músicas diferentes do que vimos no setlist
- Billie Joe cantando e OLHANDO NOS NOSSOS OLHOS
- interação total com os fãs
- DOIS AMIGOS MEUS SUBIRAM NO PALCO (Ana, como contarei no post dos amigos e Herinton, que viajou de SC pro show)
- BJ deu uma tiara pra mim, que ele usou em Are We the Waiting
- Tré me deu uma baqueta no final, UMA BAQUETAAAAAAAA
- peguei uma palheta do Mike, graças aos seguranças, amém
- Billie jogado no chão fazendo apologia à sexo e conversando conosco enquanto olhava direto pra mim e pros meus amigos da grade
- melhores efeitos visuais que já vi (chamas no palco e fogos de artifício)
- emoção à flor da pele desde o primeiro até o último segundo
- o filme da minha vida passava na minha cabeça a cada música
- muito choro e emoções fortes em "Boulevard of Broken Dreams" e "Still Breathing"
- Mike fazendo caretas pras nossas fotos
- elogios do BJ ao público de Poa (ele demonstrou lembrar de 2010 *-*)
- Tinah, atônita, chorosa, feliz, desesperada, loca, no ápice da felicidade e da emoção, meu estado era de tanta loucura que NENHUMA das poucas fotos que tentei fazer deu certo
-ELE TROUXE A BLUE, MANO, EU VI AQUELA GUITARRA ICÔNICA SENDO USADA NA MINHA FRENTE!

SET LIST:
- Know Your Enemy (Herinton no palco, cantou e saiu dando mosh, FOI LINDO!)
- Bang Bang
- Revolution Radio
- Holiday (E O SOLO DE BAIXO DO MIKE QUE EU TANTO SONHAVA VER AO VIVO!)
- Letter Bomb
- Boulevard of Broken Dreams
- Longview (A ANA SUBIU NO PALCO! BJ CHAMOU ELA PRA CANTAR JUNTO!)
- Young Blood
- Welcome to Paradise
- Armatage Shanks
- J.A.R.
- F.O.D.
- Scattered
- Nice Guys Finish Last
- Waiting
- When I Come Around
- Minority
- Are We The Waiting (Billie pega bandeiras, discursa contra Trump e tudo de mal que ele prega, EU MORRO CHORANDO DE TANTO ORGULHO DESSA BANDA!)
- Saint Jimmy
- Knowledge
- She*
- Basket Case
- King For A Day
- Still Breathing
- Forever Now

Encore
- American Idiot
- Jesus of Suburbia (Tbm conhecida como HINO)
- 21 Guns - acoustic **
- Time of Your Life - acoustic (Sabendo que seria a última eu não sabia se ficava feliz por ter feito parte daquilo ou triste por ser o fim, "EU NÃO QUERO QUE ACABE" era o que eu falava pro Pablo todo o tempo no final, lembro de cada momento antes deles saírem do palco)

* não fazia parte do setlist de Porto Alegre (tive um surto quando começaram a tocar)
** foi tocada no lugar de "Ordinary World" (achei ótimo terem trocado e pirei demais quando BJ deu a primeira nota no violão)

Um mês atrás tudo isso que contei e muito mais estava acontecendo na minha vida, escreverei mais, sobre a fila, os perrengues daqueles 3 dias e os amigos que estiveram comigo nessa aventura inesquecível e marcante na vida de todos nós. Parece que foi ontem, ainda tenho tanto pra falar sobre aqueles dias, sobre aquelas pessoas...
A gratidão e a felicidade por cada momento que vivi com eles e com o Green Day são infinitas, pra lembrar disso tudo colocarei aqui fotos que tenho, algumas profissionais e outras feitas por mim e pelo povo da fila, os melhores registros estão na memória e no coração, mas as imagens reforçam os sentimentos e provam um pouco do nervosismo e das emoções que eu tento descrever sem sucesso.

VOLTA LOGO, GREEN DAY!
Obrigada por serem uma parte da minha vida, uma parte do que eu sou.

EU AMO MUITO VOCÊS!

Post oficial depois do show daqui. <3


Fotos da galera
 
 
 

Resumo das fotos:
Amanda dormindo na barraca - primeira noite de fila
Eu e Ana quando fomos tomar banho na véspera do show
Eu na primeira noite de fila, encostada na grade de proteção, sem sono
Nossa primeira lista de organização da fila, feita pelo Pablo
Depois da primeira noite já conseguíamos ver o palco
Minha última foto do ingresso sem destacar os canhotos
Eu na entrada da BudZone, era a 6ª pessoa da fila
SETLIST fotografado pelo Thomas
A troca de marmitas horas antes do show e eu sendo palhaça (queria saber o nome do fotógrafo)
A GRADE DA PASSARELA PELO LADO O MIKE: Eu (pegando sol de frente, like a tomato), Pablo, Billie, Henrique, Dereck, Herinton e Cassia (alguém fez a foto e ela foi parar no grupo do whatsapp)
Foto que eu fiz pouco antes do show começar: Eu, Pablo, Henrique e Billie logo acima (meus mininus, meus mozões da grade, PENSA NUNS CARAS FODA, ELES SÃO MAIS DO QUE TU PENSOU!
4 fotos PAVOROSAS que eu tentei fazer durante o show, inclusive da bunda do BJ
E na última, tudo o que eu trouxe do show. <3

Fotos profissionais:

Do fotógrafo Fredy Vieira

Do fotógrafo Feliz Zucco (abrindo o link do Instagram dá pra ver mais fotos)

Uma publicação compartilhada por Félix Zucco (@felixzucco) em

Tenho muito mais a dizer sobre a fila, as pessoas, o show, a banda...
Mas já ocupei espaço demais aqui e duvido alguém ler tudo, de qualquer forma, obrigada se tu teve paciência pra chegar até aqui.
Este blog é um lugar pra compartilhar sentimentos e textões não compatíveis com redes sociais, um lugar pra quem também é fã, como eu.

Logo volto aqui com mais Green Day, The Interrupters, amigos de fila, amor de fã e desabafos.
Por hoje fico com a saudade infinita daqueles 3 dias e de uma das noites mais felizes da minha vida.

IN THE END IS RIGHT,
I HAD THE TME OF MY LIFE!


O blog segue abandonado, mas eu penso nele todo dia, tenho ideias de posts todo dia, penso nas postagens atrasadas que tenho pra finalizar, penso no quanto eu sonho ele ser conhecido e útil pras pessoas, fico imaginando as fotos que quero postar aqui, planejando mudanças, parcerias, melhoras....

Nesse mix de pensamentos eu me peguei presa em um que me incomoda; tenho o blog faz anos e a vida de adulta nunca me deixou trabalhar com ele porque o trabalho fora da internet me rouba muito tempo e toda minha energia, a vida de adulto chega cedo nos dias de hoje, mas eu sinto que finalmente preciso levar ela mais a sério.

Hoje completo 25 anos, um quarto de século, uma idade que parecia distante pra mim até ontem. Eu terei 19 anos na minha mente pelo resto da vida, me cobro tanto por estar com 25 agora, nem dá pra falar tudo o que se passa na minha cabeça, mas eu quis escrever aqui pra lembrar desse dia que passou como outro qualquer.

Atualmente trabalho num emprego comum, medíocre pra muitas pessoas, que me toma 6 dias da semana e ainda tento fotografar nas poucas horas livres que me restam quando não estou esgotada. Tive folga hoje, domingo, dormi, acordei arrependida pq queria ter aproveitado minha manhã, não ganhei presentes, não tive festa, poucos amigos realmente lembraram, entre os parentes nenhum lembrou, minha mãe que é minha família me parabenizou com o pesar de quem não teve dinheiro pra comprar um presente, sinais de que realmente ser adulta também abala nossos sentimentos.

Cheguei a mais uma resolução de adulto; tu sabe que é adulto quando não lembram mais do teu aniversário e quando lembram nem perguntam mais quantos anos tu está completando.

Eu sou feliz, apesar dos percalços, hoje posso dizer que tenho quem se preocupe comigo e que estou filtrando muito as pessoas que estão na minha vida, mas me sinto uma fracassada com 25 anos, parece que não conquistei nada (nem um namoro eu tenho), parece que está tarde pra começar qualquer coisa, parece que todas pessoas que conheço da mesma idade estão super bem e eu sigo na merda.

A crise dos 25 existe e estou vivendo ela, achei importante deixar o registro porque se alguém também se sentir como eu, pode comentar relatando, talvez este texto ajude alguém que esteja se sentindo do mesmo jeito e independente da idade, qualquer problema nos abala menos quando sabemos que não estamos sozinhos.

Estou feliz porque gosto do número 25, quero aproveitar meus 25 como sempre imaginei que seria quando chegasse neste número; usar as crises, as preocupações e os problemas como motivação pra mudar, melhorar, crescer!

Quem vem comigo?


Parte do inglês que eu aprendi nessa vida foi com música, quando eu saí do interior pra capital, comecei a estudar por conta e foi com música que eu comecei a entender e traduzir sozinha o idioma. O Linkin Park foi uma das bandas que eu estudava inglês, conheci eles nessa mesma época e além de tudo, eles também me ajudaram a superar os problemas que tive no começo da adolescência.

Eu sou fã de muita gente e de muitos artistas dos anos 80, 90 e 2000, foram eles que me ajudaram quando eu tive problemas, eles me mostrava nas músicas que eu não era a única a sofrer com o peso do mundo e da vida que estava mudando. Músicas com letras tristes podem ser a saída de uma vida triste, quando notei que eu não era a única e que aqueles artistas estavam superando e tendo êxito em suas vidas, mesmo depois dos problemas, eu vi que podia também e tirei minha força da força deles.

Hoje, no trem, voltando pra casa, cheguei a fazer uma lista de itens para escrever aqui sobre Chester, a banda e minha vida relacionada a tudo isso, mas se tornaria um texto jornalístico, com coisas que outros críticos de música e também médicos comentarão e vocês poderão ler em outros sites, sobre a pressão dos fãs, haters, mídia... sobre depressão, drogas, suicídio... Mas nem peguei meu caderninho, é quase meia-noite agora e eu estou escrevendo de coração, apenas passando pra cá o que estou sentindo.

Lembro que em 2014 viajei pra SC e choveu, ficamos no hotel olhando tv uma tarde inteira e vi um documentário que contava a história da banda, naquele dia meu amor e respeito por cada um deles aumentou, me motivei a correr atrás de muitas coisas e senti um orgulho danado de todos, aquilo fez o sentimento de fã ficar mais forte e hoje pensei que mesmo depois de tantas vitórias, Chester nos deixou.

Não pude ir no show que fizeram em Poa, faltou dinheiro, hoje o sentimento bateu forte e sofri muito por pensar que eu perdi a chance de ver ele de perto (de ver a banda toda, que a gente nem sabe se vai seguir ou não - eu acho que deveriam parar). A voz, o jeito, a presença, o sentimento do Chester no palco, cada live que já vi e que ainda verei me fazem ter orgulho da pessoa que ele foi e do legado que fica, não só pros 6 filhos dele, mas pra todos que amamos Linkin Park e que aprendemos com eles.

Nem vai dar pra colocar uma foto nesse post porque estou correndo pra postar ainda no dia 20, mas a lembrança que fica é dos alargadores nas orelhas de abano, das tatuagens conhecidas nos pulsos e do sorriso, que além da voz, completavam o combo apaixonante chamado Chester Bennington.

Hoje eu chorei muito, estou me segurando pra não chorar escrevendo este texto, mas o amor e a gratidão são maiores do que a tristeza. Obrigada por ter me ajudado com tuas músicas, obrigada por ter me ajudado a prender inglês, obrigada por ter me feito gostar de vocais "rasgados" numa época que eu me negava a ouvir músicas assim, tu marcou uma fase nova da minha vida, Chester, me fez conhecer estilos que amo até hoje e colaborou pra minha sanidade mental.

Tu nunca soube da minha existência, eu jamais pude te ajudar como tu ajudou tanta gente (mesmo sem saber), mas obrigada mesmo assim, tu já está num lugar melhor, vendo todo esse nosso amor, infelizmente é tarde e não te traremos de volta, mas tu está vivo no nosso coração e viverá pra sempre, onde tiver alguém te ouvindo cantar.

Muito obrigada Chester Bennington, a dor acabou, tu está livre agora, segue cuidando da gente, seja onde tu estiver. <3